julho 27, 2011

Muitas pessoas me escreveram para comentar o post anterior e me pediram para publicar o manifesto citado. Aí vai:

O Xingu do século 21 ameaçado,
por Cao Hamburger

Se nossos dirigentes tivessem interesse em entender a cultura dos indígenas, abortariam qualquer projeto que os ameaçasse, como Belo Monte.

Algo profundo mudou na minha percepção de mundo enquanto conhecia o parque e sua história durante a produção do filme “Xingu”.

Sem dúvida, é um dos maiores patrimônios do Brasil, e nós, brasileiros, não temos a menor ideia do que ele representa e do que está protegido ali. Criado em 1961, é a primeira reserva de grandes proporções no Brasil.

Abriga povos de cultura riquíssima e filosofia milenar, que vivem em equilíbrio, preservando seu modo de vida, sua dignidade, sua cultura e vasta sabedoria, assimilando só o que vale a pena do “mundo de fora”, sempre em sintonia com a natureza exuberante. Um verdadeiro santuário social, ambiental e histórico no coração do Brasil.

Mas não estamos falando só de preservação do passado e da natureza. O que está sendo protegido ali é o futuro. Não o futuro visto com os óculos velhos, sujos e antiquados que enxergam o progresso da mesma maneira como enxergavam nossos bisavós na Revolução Industrial, mas o futuro do século 21.

Esse talvez seja o maior patrimônio do Brasil hoje. Mais valioso que todo o petróleo, soja, carne, ferro que tiramos do nosso solo, ou todo automóvel, motocicleta, geladeira que fabricamos.

O que está protegido ali é um novo paradigma de como o ser humano pode e deve viver. Não estou dizendo que precisamos morar em ocas, dormir em redes, tomar banho no rio e andar nus. Falo de algo mais profundo.

Algo novo para nós, ditos civilizados, que nascemos e fomos criados como os donos do planeta. Arrogantes e prepotentes, nos transformamos no maior agente destruidor do nosso próprio habitat.

Um exército furioso de destruição. Um vírus que se multiplica e ataca, transformando e destruindo tudo o que encontra em seu caminho, na presunção de que estamos construindo um mundo melhor, mais seguro, mais confortável, mais rentável. No Xingu, progresso tem outro significado.

No Xingu, homens e mulheres não vivem como donos do mundo, não foram criados com essa arrogância. Vivem como parte da cadeia de vida do planeta, e essa cadeia é interligada e interdependente. O “progresso” e o bem-estar dos homens está ligado ao equilíbrio dessa cadeia. Para os índios, homem e natureza evoluem juntos.

Golpe baixo.

A megausina de Belo Monte quer represar o rio Xingu. O rio que é a alma e a base da vida das comunidades indígenas da região.

(…) Se nossos dirigentes e a sociedade como um todo se interessassem em entender a filosofia, a cultura e a inteligência dos povos indígenas, abortariam qualquer projeto que os ameaçasse. E poderíamos inaugurar novo paradigma de progresso.

O progresso do equilíbrio. Seríamos a vanguarda mundial do século 21. Essa é a demanda. Essa é nossa chance. Sejamos corajosos, ousados, visionários. Como foram os que lutaram pela criação do Parque do Xingu há 50 anos.

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julho 23, 2011

Para encerrar o primeiro semestre da Oficina de Redação do POLO Vestibulares (MG), publico aqui dois dos melhores textos sobre meio-ambiente.

Em sala, discutimos o bárbaro assassinato dos ambientalistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo. Lemos duas notícias e assistimos aos vídeos em que José avisava sobre as constantes ameaças de morte. Discutimos a aprovação do Código Florestal e sua negativa repercussão internacional, com base em entrevistas concedidas por Marina Silva e Stephen Schwartzman. Exibi slides sobre o Xingu, com diversas fotos tiradas pela equipe do filme homônimo, que conta a saga dos irmãos Villas Boas, e trechos do belíssimo manifesto escrito pelo diretor Cao Hamburger. Assistimos também ao vídeo, assinado pelo Greempeace, sobre uma reunião feita no Parque do Xingu contra a construção da Usina de Belo Monte. Impossível publicar aqui todo esse material de embasamento e sensibilização. Coloco, então, os 2 enunciados (Grade Geral e Grade ENEM) para que vocês possam ter uma noção clara do resultado didático, algumas fotos e alguns links.

A)     A partir da leitura dos textos destacados e de suas reflexões individuais, redija uma dissertação, de 20 a 25 linhas, em que EXPONHA SUA OPINIÃO a respeito das políticas ambientais no Brasil. Utilize o registro padrão da língua e estrutura argumentativa completa. Atribua um título ao seu texto.

B)      Redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema: O meio ambiente no Brasil – cuidados e desafios. Em sua abordagem, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione e organize fatos, argumentos e opiniões. Apresente experiência ou proposta de intervenção adequada ao tema discutido. (30 linhas)

Bipolarização dos ideais

Bruna Fonseca Vieira

 

É inquestionável que o atual ritmo de crescimento econômico do Brasil sugere uma crescente demanda energética para o país. Tal cenário intensifica os embates entre a chamada bancada ruralista, composta por latifundiários – que constantemente envolvem seus interesses econômicos em decisões políticas – e a bancada ambientalista, que visa à redução da degradação da natureza. Sabe-se que em meio a tais batalhas, o problema ambiental toma maiores proporções e nos leva a pensar no futuro do meio ambiente brasileiro.

Há anos predomina a mentalidade arcaica que vê a proteção ambiental como sinônimo de prejuízos e estagnação econômica. Entretanto, está provado que o uso de técnicas de conservação do solo aliadas ao cultivo da terra aumenta consideravelmente a produtividade das áreas agrícolas. Outra mentalidade muito difundida é a de que a prática da agricultura é a principal responsável pela destruição do meio ambiente e que, por isso, deve ser freada. Porém o problema não é o pequeno produtor, mas os latifundiários que utilizam sua influência – muitas vezes com teor coronelista – para destruírem matas nativas e plantarem monoculturas. Infelizmente o problema se agrava ao passo que tais grandes proprietários de terras são parte dos representantes políticos que os brasileiros escolheram, o que dá a eles poderes para decidirem o futuro ambiental do Brasil.

A polêmica construção da Usina de Belo Monte no rio Xingu, por exemplo, vem sendo discutida há alguns anos e é considerada uma das maiores obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Contudo, pesquisas demonstram que em vista dos prejuízos ambientais e socioculturais que ela irá causar, sua produtividade energética torna-se pouco expressiva. Dessa forma, a solução não é deixar de investir em energia, mas criar centros de pesquisa de outras formas de energia que geram menor impacto, como a eólica e a solar, por exemplo.

Por isso, a relação paradoxal entre o homem e a natureza, na qual se destrói aquilo que é fundamental para nossa sobrevivência, deve ser substituída por uma cooperação mútua entre os que fazem da terra sua fonte de renda e os que lutam por sua conservação. Logo, a bipolarização de ideais fará parte do passado.

Sustentabilidade: o clichê necessário.

Pedro Rezende Tanajura

Não é fácil proteger o meio ambiente no Brasil, país em que os interesses econômicos imediatistas são tão privilegiados.

A concentração de terras  remonta do período colonial, quando amplos poderes políticos eram conferidos às elites agroexportadoras. Infelizmente, a influência dos latifundiários atuais é tanta que a bancada ruralista do poder legislativo conseguiu com que fosse aprovado um Código Florestal que permite aumentar a área de destruição da cobertura vegetal em todos os ecossistemas brasileiros.

Até mesmo nos pontos mais racionais do novo Código, como a obrigatoriedade de se preservar margens de rios, topos e encostas de morros, a lei é permissiva a ponto de autorizar que certas culturas sejam feitas nessas áreas. A tese que a legislação atual é muito rigorosa e prejudica a produção é absurda, visto que ainda são usadas práticas medievais para o cultivo, a exemplo de queimadas pós-colheita e o alagamento como forma de irrigação.

Se não forem melhoradas as técnicas por comodidade ou por falta de investimentos, não se pode confiar  que a máxima a terra em que tudo se planta dá revelará uma verdade eterna. Além disso, os múltiplos climas da nação se alterarão, o que prejudicará ainda mais a agricultura. Se, para maximizar os ganhos hoje, não se pensar a longo prazo, pode não haver ganho algum no amanhã. A sustentabilidade, lugar-comum nos discursos a favor da preservação do meio ambiente, é a chave para um possível futuro.

Blog do fime Xingu:

http://xinguofilme.blogspot.com/2010/07/inicio-das-filmagens-de-xingu.html

Documentário gravado na Aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto/Jarina: 

http://www.youtube.com/watch?v=YgtC93oUfNU&playnext=1&list=PLF3C4079E56203395

Vídeos com o castanheiro José Claudio – líder extrativista assassinado brutalmente por defender o meio ambiente e emprestar sua voz e coragem à luta contra os madeireiros:

http://www.youtube.com/watch?v=i60vlrrRpfA

http://www.youtube.com/watch?v=CWa7shPsr_M


julho 23, 2011

Ouvi Andrea Drigo e Marcus Santurys há alguns anos num programa comandado pela doce Patrícia Palumbo, fiquei maravilhada… o que mais me comoveu foi que Andrea subverteu as expectativas em relação aos instrumentos. No violão, escalas dissonantes, orientais. Na citara, Villa Lobos e baião. Na voz, uma espécie de texto timbrístico, de vocalise ondulante, que nos embala e nos leva a esticar os fios da canção, a dançar por calêndulas e girassóis…

Procurei discos, dvds, e nada…

Hoje, não sei bem por qual motivo, me veio à memória o nome dela.

Na internet, encontrei alguns vídeos do programa INSTRUMENTAL SESC BRASIL, e vi que ela está com um belíssimo trabalho dedicado aos orixás no seu myspace, odoiá:

Deixo alguns links para vocês:

http://www.myspace.com/andreadrigo

http://www.myspace.com/santurysdjsitar

http://andreadrigo.blogspot.com/p/videos.html

Seu canto-oração Dança ao Sol:

http://www.youtube.com/watch?v=-xwYX_SMcuw

Ancestral:

http://www.youtube.com/watch?v=7hWkT833npc


julho 13, 2011

…cada

um

sabe

a

dor

e

a

delícia

de

ser

o

que

é…

Caetano Veloso