julho 28, 2012


julho 28, 2012

como fisgar o vinco cálido no vazio?

 

a sombra na ausência?

 

a senda?

 


julho 25, 2012

Vista do Crepúsculo

 Eduardo Galeano

Está envenenada a terra que nos enterra ou desterra.

(…)

Já não há chuva, só chuva ácida.

Já não há parques, só parking.

Já não há sociedades, só sociedades anônimas.

Empresas em lugar de nações.

Consumidores em lugar de cidadãos.

Aglomerações em lugar de cidades.

Não há pessoas, só públicos.

Não há realidade, só publicidades.

Não há visões, só televisões.

Para elogiar uma flor, diz-se:

“ Parece de plástico.”

Cultivo una Rosa Blanca

 José Martí

Cultivo una rosa blanca,

en julio como en enero,

para el amigo sincero

que me da su mano franca.

 

Y para el cruel que me arranca

el corazón con que vivo,

cardo, ni ortiga cultivo:

cultivo una rosa blanca.

 


julho 21, 2012

Em fins de tarde, os flamingos cruzavam o céu. Minha mãe ficava calada, contemplando o voo. Enquanto não se extinguissem os longos pássaros, ela não pronunciava palavra. Nem eu me podia mexer. Tudo, nesse momento, era sagrado. Já no desfalecer da luz, minha mãe entoava, quase em surdina, uma canção que ela tirava de seu invento. Para ela, os flamingos eram eles que empurravam o sol para que o dia chegasse do outro lado do mundo.

(Mia Couto. Trecho do romance O Último voo do flamingo. Lisboa: Editorial Caminho, 2000, p. 49)


julho 21, 2012

Como não amar BrigittBardot?

…dedico minha inteligência aos animais…

Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respira

o sei dizer o que há em ti que fecha e abre
uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem os tão pequenas.

 trechos brigitte bardot, e. e. cummings.


julho 19, 2012

Como não amar Brigitte Bardot?

a saudade é um filme sem cor

que meu corão quer ver colorido

Love, love,  my  season

Trechos: Zeca Baleiro e Sylvia Plath.


julho 14, 2012

“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente.”

Tierno Bokar