junho 27, 2011

Amai-vos uns aos outros. Basta de homofobia!

Lema da 15ª Parada do Orgulho LGBT.  Festa associada à reivindicação dos direitos civis e humanos. 

O país vive um ótimo momento para a discussão coletivo-democrática sobre os malefícios do fundamentalismo religioso e sua imposição no congresso e senado, sobre os altíssimos índices de violência praticados diariamente contra os homossexuais, sobre a possibilidade de reversão desse quadro de brutalidades, intolerância e ignorância.

Segundo Gilberto Dimenstein, “o Brasil está dando uma aula de respeito à diversidade com a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre casais homossexuais. É daquelas decisões que chamam a atenção mundial para os avanços de um país. Um dos fatores, entre vários, para entender por que um país católico, onde os políticos temem as igrejas, chegou tão longe tem a ver com a Parada Gay, lançada na avenida Paulista. A parada trouxe milhões de pessoas para uma única manifestação – mais do que o Dia do Trabalho, por exemplo. Em nenhum lugar se junta tanta gente para afirmar um direito. Nada parecido existe em cidades gays como Nova York ou São Francisco. “

Vale assistir à entrevista que Jean Wyllys concedeu à Marília Gabriela. Temas cruciais foram tratados com uma clareza expressiva contagiante e extremamente necessária.

Sobre o tema da escola, entretanto, é importante afirmar que a discriminação não vem apenas dos professores, mas de diretores, coordenadores e supervisores. Devemos tomar um extremo cuidado ao analisar o sistema educacional brasileiro. Em geral, apenas a figura do professor é examinada, como se ele respondesse sozinho ao fracasso ou  ao sucesso escolar. E não é bem assim. Reina uma pedagogia da opressão, assinada pelos cargos de orientação escolar. Não são poucos os casos de professores perseguidos e demitidos por serem homossexuais ou por defenderem relações homoafetivas. Não são poucos os casos de alunos, ainda em processo de descoberta da sexualidade, serem apartados e agredidos por pedagogos. Não basta, portanto, curso de aperfeiçoamento e reciclagem para os professores, é crucial incluir os orientadores pedagógicos, que, em geral, assumem cargos de chefia e impõem regras discriminatórias e extremamente violentas. Em abril de 2009, escrevi um texto sobre o tema e o publiquei aqui no blog, quem quiser conferir, basta ir ao arquivo.

Anúncios

junho 23, 2011

Mais alguns grafites d’osgemeos:

A subversão certeira do slogan:

Os artistas foram fotografados por Wim Wenders!

Veja que curioso o relato deles:

“(…) Tivemos uma surpresa ao visitar a exposição, onde nos deparamos com uma obra nossa fotografada por Wim, em Wuppertal (Alemanha). O mais surpreendente foi a maneira como isto aconteceu, completamente por acaso… Wim relatou que sabia da existência de um túnel desativado da DB (Companhia de trens da Alemanha), que fica em volta da cidade de Wuppertal, um lugar de difícil acesso. Ao caminhar dentro deste túnel completamente escuro e longo, ele tropeçou e caiu e com uma lanterna na mão, iluminou a parede e sem querer encontrou nosso trabalho pintado nas paredes. Contou que ficou muito surpreso e que ao caminhar ao longo do túnel foi descobrindo outros personagens pintados. Esse nosso trabalho foi feito há mais de 3 anos e poucas pessoas sabiam que tínhamos trabalho ali dentro.”

De modo inusitado, o cineasta acabou por registrar um trabalho de contestação, hoje já prejudicado pela umidade e poeira do lugar, sobre o perverso e triste período da guerra.


junho 20, 2011

“A sociedade que nos critica é a mesma que nos educa”
Do pichador Gandhi, em um muro de SP

→ Grafite: arte de rua; intervenção no meio urbano; capacidade de transformar lugares inóspitos em espaços lúdicos; ruptura com o lado opressor, cinzento, poluído e caótico das grandes cidades.

Na parede de um enorme edifício, uma personagem nos convida a sonhar, a sair da rotina, a olhar de outra maneira para o que nos circunda: ofício de Gustavo e Otávio Pandolfo, osgemeos! São grafiteiros que impressionam pelo requinte de detalhes, pela diversidade de influências e pela delicadeza do traço. A maneira como utilizam o spray, com o traço fininho, cunhou o estilo dos irmãos, além das estampas nas roupas das personagens e do reaproveitamento de materiais descartáveis. Não à toa, exploram dos muros do Cambuci à fachada do Tate Modern, de Londres.

Em alguns desenhos, a realidade estampada, o tom de denúncia e a evidente relação com o movimento hip hop, noutros, o onírico – a revelar canoeiros, repentistas, pescadores, violeiros…

É pungente o diálogo com o Brasil dos anônimos artistas de rua, a improvisar uma infância perdida em cada semáforo, o diálogo com o país de Cândido Portinari, Guimarães Rosa e Pixinguinha. É também perceptível a influência da estética surrealista e do movimento muralista latino-americano.

No vídeo, a relação do público com a exposição O peixe que comia estrelas cadentes, o foco em vários detalhes (como as telhas da casa: incrível como é minucioso o trabalho dos caras) e uma pequena entrevista com osgemeos. 

Visite o site oficial d’osgemeos:

http://www.lost.art.br/osgemeos.htm

http://osgemeos.com.br/


junho 4, 2011

Os arranjos mesclam uma ingenuidade sombria com timbres nada previsíveis. Resultam, portanto, numa sensualidade nostálgica e numa contemporaneidade de quem ouviu o folk dos anos 60/70. Aqui em casa, o cd de Karen Elson toca todo, mais de uma vez. E de novo… de novo…

Entretanto, só prestei mais atenção à canção The Ghost Who Walks (antes estava muito envolvida com a música The truth is in the dirt) depois de o Alexandre Castro* me contar que se referia ao apelido que a belíssima cantora recebera na infância: fantasma! Apenas por ser muito branca e magra – essa tal “inocência cruel das criancinhas”

A letra é linda! Karen radicaliza a cena

The Ghost Who Walks


The ghost who walks

She’s on the prowl

For the man she loved,

He cut her down

It was an ordinary night in june

When he drove her to the lake

So they could watch the full moon


The ghost who walks

She’s on the prowl

For the man she loved,

He laid her down

In the tall grass

He kissed her cheek

But with a knife in his hand

He plunged it in deep


She looked at him with pleading eyes

He softly spoke,

“my dear the love has died”

And then he muffled her desperate cries

Under the moonlight


Ghost who walks

She’s on the prowl

Wanders in the moonlight

She’s crying to herself because

Eyes never once looked cruel

But the moon in the blade

Shimmered like a jewel


She looked at him with pleading eyes

He softly spoke,

“my dear the love has died”

And then he muffled her deadly cries

Under the moonlight


Under the moonlight

Under the moonlight

Under the moonlight


*Aliás, é sempre bom conversar com o Alexandre sobre música, sensibilíssimo, ouve com todos os poros.