agosto 30, 2010

Quem reflete a palavra é o livro que range.

Quem reflete o imprevisível será, provavelmente, a intuição.

(Maria Gabriela Llansol)

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agosto 15, 2010

A arte é o vazio que a gente entendeu.


há pouco Beth Goulart me colocou diante da autora,

que linda entrega dessa atriz

inteira imensa pequenina,

Simplesmente Clarice!


espetáculo delicado estranho forte

com seus espelhamentos e silêncios,

sutilezas e vazios

(fiquei quieta, imóvel na cadeira,

meu corpo todo uma escuta)

Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu.

Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil.

Minha experiência maior seria ser o outro dos outros:

e o outro dos outros era eu.

Simplesmente Eu, Clarice Lispector:

Pesquisa, concepção, criação, interpretação e direção – Beth Goulart.

(Fragmentos de várias vozes revelam não só Clarice, mas uma leitura sensibilíssima e atenta)

Supervisão de direção – Amir Haddad.

(Soube compor e ouvir, de certo)

Iluminação – Maneco Quinderé.

(Perfeita!!!!)

Cenário – Ronald Teixeira e Leo Gama

(Trama vazada de silêncios…)

Figurino – Beth Filipecki

(Simples e requintado, colabora com toda a movimentação cênica)



agosto 13, 2010

A ideia de “inutilidade da poesia” tem que ser entendida de forma contextualizada. Os gregos não pensavam que ela fosse inútil. Eles a usavam, por exemplo, para treinamento rítmico dos músicos, para difusão de questões pedadógicas. A ideia de serventia, no mundo capitalista, é que talvez tenha de ser posta em questão. O valor de uso, de troca, das coisas, essas questões é que tem de ser problematizadas. Em face ao que a poesia traz. Quando a gente fala de poesia, há uma confusão: a gente fala de livro de poesia. É falar do livro como se estivesse falando de poesia. Então se diz assim: “ninguém gosta de poesia”, mas o que confere estatuto de verdade a essa afirmação? A suposição de que, de todos os gêneros literários, o que menos vende é a poesia. Mas isso, insisto, é baseado em quê? Você pega as listas da revista Veja. Ninguém se questiona se há um acordo tácito para jamais colocar a poesia, mesmo que ela venda muito, como algo vendável. O que está sendo vendido é o livro de poesia. Assim como música, você não vende. O que vende é CD, entrada para show. As pessoas tem confundido a coisa com o suporte em que ela é vendida. A minha experiência mostra o contrário: as pessoas gostam sim de poesia, isso nunca vai ser massivo, mas a gente tem que considerar o preço dos livros, o desaparelhamento das bibliotecas públicas.

Ricardo Aleixo

Trecho de uma entrevista concedia ao Rafael Rodrigues

http://formacaodragaodomar.blogspot.com/2010/08/arte-como-brincadeira.html

a entrevista me fez lembrar a primeira vez que vi o poeta Ricardo Aleixo, se não me engano no Salão do Livro, há alguns anos….

nada de poesia chapada no papel, nada de chatice ou mais do mesmo,

nada de pompa arrogância ou beca…

era a poesia em seu delírio mais que sadio,

êxtase pulsação ritmo jorro…

(não confunda com facilidade!!!)

era uma festa uma comunhão

e como reverberava!

uns dançavam

outros aplaudiam,

houve quem gritasse…

(durante

muitos e um)

sabe aquela cumplicidade em show de Gilberto Gil? que se instala num entendimento que ultrapassa a lógica cartesiana? quando todos nós somos seus agudos mais profundos?

pois…


eu saí de lá criança.


Nos demais,
 todo mundo sabe,
 o coração tem moradia certa,
 fica bem aqui no meio do peito,
 mas comigo a anatomia ficou louca,
 sou todo coração.

Maiakóvski


agosto 13, 2010

A lindíssima ilustração de Jana Magalhães me fez rever o filme,

me devolveu à graça e à leveza da personagem,

interpretação primorosa de Audrey Tautou…


“Estranho o destino dessa jovem mulher,

privada dela mesma, porém tão sensível ao charme

das coisas simples da vida…”

Do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain,

de Jean-Pierre Jeunet.

Há outras imagens que me retiram do caos ou da mesmice,

E me atravessam,

feito os sons oníricos de Yann Tiersen…


…Anne Julie não tem um pouco de Tim Burton?



E quantas Clarices em Mariana Massarani e Karine Daysai?


quem me sabe por rabiscos?

quem trisca e acha o grito?

…e nenhuma emoção, só essa de estar aqui se dizendo.

cores, calêndulas, anêmonas, espumas sobre um rio leitoso, onde?

onde?

alguém se atirou no Ouse…quem?

Hilda Hilst