Não é novidade para os meus amigos que Adriana Calcanhotto é, para mim, a voz mais inventiva e inteligente da mpb. Quando surgiu, com o sotaque deliciosamente gaúcho em Mortaes, Naquela estação, eu fiquei chapada, fascinada… ah!, quem não ficaria?  Os chatos, de certo, eles existem, mas não cabem aqui nesse texto nesse post nessa tarde de chuva, quando escrever-sentir-dizer tarde de chuva já não me parece assim tão clichê, mas intenso e sutil, uma delicadeza em espanto, presente nas gotas atravessadas por uma luz tépida, nada cintilante.

É claro que divido minhas horas com Lenine, Bráulio Tavares, Zeca Baleiro, Lokua Kanza, mas Adriana é sempre e desde sempre; desde quando meu filho era de colo e o som de vinil: Inverno madrugada adentro, num bairro simples, na cidade de Belo Horizonte.

É claro que ainda Rosa Passos, Ceumar, Ná Ozzetti…

Só que Adriana respira; cúmplice dos meus medos e alegrias. Ela é Muito e muitas. Mar de Caymmi e de Péricles. Verso de Augusto em Partimpim. Lúdica e lépida. Mas estranheza e solidão. Ela é também Veloso, Cícero e Waly, como posso dizer? Ora álcool forte, ora Água Perrier.

É mesmo poesia que toca no rádio.

 

Nua, sua voz é agora a verdade que ouso,

corrijo(?),

que ouço.


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