Estou triste aqui. Mora Fuentes morreu;

soube só ontem.

Quando estive na Casa do Sol, julho de 2007,

ele e Olga me receberam muito bem,

fui junto ao Rodrigo, amigo querido,

companheiro de leituras hilstianas, há anos.

 

Mora Fuentes era Môra na minha voz tímida.

Curiosamente não me corrigiu,

nunca exigiu que pronunciasse Móra.

Ao contrário, ouviu com atenção meus comentários de estudante, respondeu todas as minhas perguntas, até as mais ingênuas…

Conversamos sobre cachorros, projetos, teatro, leituras, interpretações.

Unânimes na paixão pela voz de Maria Bethânia,

sua interpretação belíssima de Ariana para Dionísio,

e dissonantes em relação à de Zélia Duncan

– eu sempre impliquei com a respiração da cantora,

que parece atropelar os versos.

 

Confiou-me uma tarde inteira na biblioteca de Hilda Hilst,

…passei as mãos sobre os livros com uma espécie de devoção,

a autora estava ali,

em cada comentário, em cada escolha…

(quantos livros de física e filosofia!!!)

Fiquei miúda,

trêmula-radiante.

 

Mora respeitou meus silêncios, medos e ansiedades.

Presenteou-me com sua Fábula de um rumo

e com Tu não te moves de ti.

Mandou-me por email o teatro completo de Hilda Hilst

(ainda não tinha saído pela Editora Globo e eu precisava muito da peça O verdugo).

Também por email trocamos muitas conversas,

e leituras. Ele acompanhou meus passos e tropeços.

Nunca consegui agradecer com exatidão sua extrema generosidade, mas ele nem parecia se importar…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: